quinta-feira, dezembro 11, 2008

Johannes Chrysostomus Wolfgang Gottlieb Mozart



Ao Grito Celestial
à Iniciática Música
Dedico a minha obra terrena (e quiçá, divina)

Johann Sebastian Bach



Ao Mestre do Cravo,
Sonhador de Teclas,
ao Poeta organista
dedico a minha Busca...
Poeta caído
do sonho
do mundo

Ser perdido
no mundo
dos Mundos

Pobre creança
acorrentado por tudo
pelo mundo

a vida escasseia,
a morte clama
a vida eterna,
que é
a guardada chama.

Francisco Canelas de Melo
O Livro aberto está...

W.A.Mozart - Don Giovanni

Ressoas fundo
o grito de morte
que vive o ultimo suspiro

gritas fundo
da cova escura
receias o mundo,
futuro do sonho
de ver mundo e fundo
sonho e tudo

Mestre oculto,
negro, cinzento, escuro
revelas tudo,
a sombra que é tudo
à luz do mundo.


Francisco Canelas de Melo

J.S.Bach - Thema Fugatum BWV 582

Na sombra do amor
sombra de luz
renasce um ser,
anjo caído,
acorrentado pelo mais pérfido
desejo
pelo mundo duro
pelo mundo surdo
e mundo que ignora o ser
errante
por ter
um sonho
de azul profundo.


Francisco Canelas de Melo

J.S.Bach - Passacaglia

A Johann Sebastian Bach

Já não screvo nada há muito tempo

A Saudade, aperta,
a fome devora-me,
sangro pela raiz
matriz do meu peito

alma chora ao som do Mestre

o Soar agudo
profundo
ressoa em mim

fonte de luz que és tu
na arte da fuga

renasce em mim
cada nota,
cada ser

Ser profundo
é erguer do escuro
a pedra oculta

é ser mago sem magia
poeta sem poesia

sangue que me cospes
que purgas meu corpo

de dor
de magia
e tristeza

arde poeta
na eterna sepultura,
cremado pelo calor
d´um amor

Foge negro escuro
a luz aproxima-se
arde e brilha

Som celestial
oiço-te e busco
a eterna voz, nota
corda
que um poeta tocou.

Francisco Canelas de Melo

sexta-feira, novembro 07, 2008

Saudação aos Quatro...

A Grande Ursa

É o Útero da Terra

A viagem à escuridão profunda,


O Salmão voa

Com Sabedoria p´las águas

Rumo à morte

Predestinada,


O Falcão paira,

Flutua

No imenso Mar

Suspenso,


E aquele Ser nocturno,

De focinho pontiagudo

Ergue as presas

Ao luar,

Nele corre o Fogo

Como lava escorrendo

Na ebulição

Do (Re)nascimento.


Francisco Canelas de Melo




quinta-feira, novembro 06, 2008

Santo Condestável


Que aureola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

Sperança consummada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!

Fernando Pessoa

terça-feira, novembro 04, 2008

I.
Jaz aqui morte
onde vive o morto
que é esperado,
desejado em si
p´lo Mundo

esperançoso
El Rei o encoberto



II.
A viagem d´Alma
pela barca de Caronte
ultrajo o fundo
mundo

onde Ares
Maléfico
devora tudo

Prometeu mais fogo
alumia ao mundo
fundo

onde reino castigo
espera adormecido



III.
Rápido como Mercúrio
em derradeira ebulição
no fundo ser

renasce novo,
completo
e um pouco mais
encoberto
e descoberto
no oráculo do mundo

Virgens, puras
onde enxofre arde
na penúria,
véu escarlate,
rubro,
denso e mudo

ascende aos céu
num fogo-carro

zEUs, EUs,
EU,
Imagens do sonho,
sono divino
de puritana ascese
onde Ego morre
e renasce,
Puro, Sensível
e Doce.


Francisco Canelas de Melo

quinta-feira, outubro 30, 2008

União

União

Palavra Sagrada entre o divino
e o profano,
entre o Alto e o baixo, semelhantes, próximos
e distantes.
O Homem separa-se da origem num rumo
sem fim
(Onde o infinito é somente o fim)
na busca do ser
enfrenta-se a si,
onde o medo é superado,
onde o ódio é ignorado,
onde o ego morre e renasce
o novo Homem,
comungado à origem e ao fim,
ao Alfa e Ómega,
À Existência Divina
por fim atingida.


Francisco Canelas de Melo

terça-feira, outubro 28, 2008

"Podemos convir desde já que a infelicidade actual do homem não é ignorar que existe uma Verdade, mas equivocar-se quanto à natureza dessa Verdade; (...) então, o que atormenta aqui neste plano a maioria dos homens é menos saber se há uma Verdade do que saber qual é essa Verdade."

Louis-Claude Saint-Martin
"A mais bela e profunda experiência é a sensação do mistério. Ela é semeadora de toda verdadeira ciência. O homem para quem essa emoção é estranha, que não mais pode se maravilhar e se sentir arrebatado de admiração, está praticamente morto."

Albert Einstein

sábado, setembro 27, 2008

A agonia
trespassa o coração
como um raio
fulminante, profundo
de uma lâmina
de dois gumes
onde o peso-justo
se entrega
às mãos
do executador,

o carrasco do amor...


Francisco Canelas de Melo

segunda-feira, setembro 22, 2008

quinta-feira, setembro 11, 2008

O amor só se revela

Quando o perdemos

Ou quando não o temos

O amor não pode ser possuído

A voz do amor luta

Contra a solidão

Vive nas trevas

E nas trevas é o seu lugar

Pois só com a esperança de alcançar a luz

Existirá e sobreviverá o Amor…



Francisco Canelas de Melo

quinta-feira, agosto 14, 2008

Batalha de Aljubarrota




O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.

Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.

Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.


Fernando Pessoa

terça-feira, julho 29, 2008

Correm Valquírias
correm p´lo mundo
buscando heróis,
eternos caídos,
estes varredores do mundo
homens, simples homens
guardados pelo Deus,
por Agartha,
neste panteão de hidromel,
mulheres, contos e batalhas,
onde corre
o vinho místico de mel,
o fel diurno
e nocturno céu.


Francisco Canelas de Melo

domingo, julho 27, 2008

Nos Jardins D´Oriente
onde renasce
a cada dia
o suave aroma
do desejo,
o pobre marabu sonha...

Sonha com o Mundo,
com o volátil Éter da Vida,
o visível e intocável
o Sopro Divino.

Nas Strelas vê
quase futuro,
passado e presente,
este intemporal tempo
em que o Sonho do Mundo
se reflecte
nos esmaltado espelho
negro como o Céu
onde a cintilante Lux
descreve tudo.


Francisco Canelas de Melo

domingo, julho 06, 2008

Os Conjurados

Amanhã vai renascer o vosso verbo,
esta força de sonhar, de ser, de amar,
de um povo heróico, viril, mas não soberbo,
esta sede tão grande de cantar.

O passado e o futuro num instante,
que hoje seja, de novo, a nossa voz
que levou nas caravelas de um infante
a semente desta fé que vive em nós.

Contra o jugo do espanhol a nossa raça
que Deus quis, a Pátria é, o Rei comanda.
Esta recusa de beber pela mesma taça,
esta jangada de que somos a varanda.

E amanhã, uma vez mais, ao sol primeiro
brilhará de novo o porto Ocidental.
Portugueses, povo nobre e marinheiro:
Amanhã também se chama Portugal!


Fernando Tavares Rodrigues
in Talvez Amanhã
"...Ser poeta não é
uma ambição minha.
É a minha maneira
de estar sozinho..."

Fernando Pessoa

sábado, julho 05, 2008

Agradeço a Deus
a virtude
de me ter feito
imperfeito

sob ela talharei
meu caminho

gravarei meu sonho

e esculpirei
meus enganos

sou vivo e imperfeito
morto e quase perfeito!



Francisco Canelas de Melo
Ao Clube de Fumadores de Sheesha





Nas areias desertas
do sonho,
no céu estrelado
infinito mar,
fumo o universo,
fumo o mundo

Este cachimbo amigo
é meu confidente,
ouve o sonho
ouve o mundo

nós, pobres sonhadores,
sonhamos juntos
a vontade de viver,
morrer e renascer

ao som da água,
do borbulhar
profundo
screvo ao ópio,
ao sonho do mundo

fumo a neblina
o haxixe da vida,

sonho e acordo,
sem ópio ou absinto,

o céu strelado
no mar tranquilo
aguarda...
...o nascer d´um
novo dia.


Francisco Canelas de Melo

terça-feira, julho 01, 2008

Andar,

Cair,

Levantar,

Três verbos
que fazem a vida,

A vida caminha-se,
tropeça-se
e renasce-se...

A cada queda
a morte ergue o vivo,
a vida deita o morto.

A vida aprisiona
o homem
à gravidade do Mundo

O homem é pássaro
sem asas,
peixe sem barbatanas,

é o morto-Ser boiando,
ao som da corrente do fado
destinado,

cumpre-se a vida
a viver!


Francisco Canelas de Melo
Oh Nau Catrineta
veleja meu sonho,
aporta em meu peito,
desembarca em meu coração
o Sonho
de ver nascer Portugal.

Francisco Canelas de Melo
Guitarra,
Braço d´Homem

Guitarra,
Voz d´Alma

Guitarra,
Teu Amor é maior

Guitarra,
Canta dolente em mim

Canta
a dor, a morte
a nostalgia

Canta
passado inglório
deste longo caminho

Canta
via d´Amor

Canta
do alto
do Penedo do Sonho
onde o Homem ama,
chora e ri

Canta
Coimbrão
Canta,
chora,
ama
e ri

Canta
Amor,
a tua eterna sepultura,
a vontade de morrer
e renascer

Canta
o silêncio,
a voz d´oiro,
a paz e a ressurreição
do morto
que renasce...



Francisco Canelas de Melo