quarta-feira, abril 29, 2009
Admirei-te,
Amei-te,
A vida infortuita
que do sonho se faz Vida,
vida vivida,
vida sofrida,
vida renascida,
que do sonho se faz Vida?
Oh Imortal,
Oh Intemporal
Mestre do Tempo
Velejas em mim,
em mar de lágrimas,
mar solitário,
obscuro,
recatado,
preso ao abismo do meu Sonho
Por que te vais, Ó Encoberto?
Se do sonho renasci,
se do sonho cresci,
se do sonho vivi,
Busco-me,
Procuro-me,
Navego-me,
Sou Marinheiro (s)em Mar
(de lágrimas)
Mar Salgado,
agridoce,
que teimas em navegar.
Francisco Canelas de Melo
A vida é mais curta do que pensas
na hora da despedida
mas...
é imortal de sentimento
é a voz que ecoa dentro de nós,
é o "Fado" da Gamba
Voz Celestial
arte que esconde a Arte,
que esconde o símbolo,
alfabeto analfabeto,
é imortal de sentimento
é mortal comum
que sorri a cada instante
É o Pobre-Tolo.
Francisco Canelas de Melo
sexta-feira, abril 24, 2009
"Brevíssimo" Historial do Santo Condestável
No próximo domingo, dia 26 de Abril, haverá em Roma a Canonização do próximo Santo Português, irá ser conhecido como S. Nuno de Santa Maria, mas é conhecido desde a sua morte como Santo Condestável. É uma personagem essencial na história de Portugal, na dinastia de Bragança, a sua filha D. Beatriz casou com um filho do Rei de Portugal, Dom João I, e deram origem a Casa de Bragança, de onde descendem os Reis de Portugal e os Imperadores do Brasil. O D. Nuno Álvares Pereira era filho do Prior da Ordem do Hospital em Portugal e neto do Arcebispo de Braga, desde muito cedo viveu sobre os padrões da Cavalaria, professava a Fé, Esperança e Caridade, defendida os princípios Justiça, Prudência, Temperança e Fortaleza com afinco e vontade inquebrável. Foi armado Cavaleiro ainda muito novo, e vivia rodeado das lendas da Tavóla Redonda e da busca do Santo Graal. Foi obrigado pelo pai a casar, pois desejava manter-se Casto, tal como o herói Galahad (ou Galaaz). Quando em 1383 o rei de Castela invadiu Portugal, juntou-se em torno do Mestre da Ordem de São Bento de Aviz que era um dos irmãos do anterior Rei de Portugal, na defesa do Reino. Sempre teve fama de ser Justo, um verdadeiro defensor da Fé. Mais tarde, e após ter garantido a independência de Portugal em 1385, e ter participado na primeira viagem marítima portuguesa na conquista de Ceuta em 1415, dedica-se à construção do Convento do Carmo em Lisboa. Obra que ele prometera construir caso a batalha lhe fosse favorável. Com a morte da mulher e mais tarde da filha, sentindo que a sua missão de defesa do reino estava cumprida e como mais nada lhe apegava ao mundo material, largou tudo e ingressou na Ordem do Carmo, onde viveu em voto de pobreza total (nessa altura era o homem mais poderoso do Reino além do próprio Rei). O Povo sempre o acariciou e venerou já no final da sua vida como Santo. Quando morreu, no dia 1 de Novembro de 1431, não tinha mais que o hábito do seu corpo e pediu para ser sepultado no chão, em campa simples e sem qualquer honraria. No seu túmulo, construído posteriormente encontrava-se o seguinte epitáfio: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."
Nota: pequeno texto de apresentação do Santo Condestável a um Amigo da Abadia de Grottaferratta, Roma.
quinta-feira, abril 23, 2009
O arco desliza
suave, melancólico,
dolente,
suave e forte,
mágico e (in)perfeito
as lágrimas
(es)correm,
mágicas
salgadas,
mergulham em nós...
Ouvintes do Passado
em Futuro dispersos,
incerto ao rumo
aprisionado ao som
d´um Fado,
de saudade (I)mortal
(Imtemporal Alma)
Ao som da Gamba
oiço o Uni Verso,
a Pátria Celeste,
o Centro do Todo-Mundo...
Aos Mestres
minha oração,
escrita ou poesia,
música ou paixão
Que imortal nota (intemporal)
vive em mim?
Francisco Canelas de Melo
sexta-feira, abril 17, 2009
Rosa Mística
"Anjo Branco Anjo Negro" de António Quadros
"Anjo Branco Anjo Negro" de António Quadros
domingo, abril 12, 2009
sábado, março 21, 2009
Opúsculo do Lug(ar) - Ensaio d´um Livro
sexta-feira, março 13, 2009
sábado, março 07, 2009
Esta Contínua Saudade
Que me afasta do que digo
E me deserta do amor
Tem uma voz e uma idade
Contra as quais eu não consigo
Mais força que a minha dor
Esta contínua e perigosa
Saudade que prende a mágoa
E enfraquece o entendimento
É uma fonte rigorosa
Onde eu bebo a angústia d´água
Que me assombra o pensamento
Mas para um tempo tão puro
Como é o de esperar
O sonho no olhar que trazes
É que eu no vento procuro
Todo o bem que posso dar
Em todo o mal que me fazes
Vasco de Lima Couto
sexta-feira, março 06, 2009
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
só, perdido, por
encontrar
É vagabundo
do Mundo
É Ser surreal
é a inexistência
no Ser
Onde uma voz clama
ao seu ouvido:
"A Sudez do Mundo!"
Poeta é incompreensão,
é interpretação mundana,
"rimatória" querida,
Poeta é a voz do
Verbo
transciptor d´Alto,
transmite a
ignorância, a
voz calada, silenciosa,
a voz Divina.
Francisco Canelas de Melo
Confutatis maledictis
a crise anunciada
Trevas profundas
onde reina o fel
sobre o mel da vida
ode ultrapassada
ao poeta decadente
a memória do morto
ressuscitado
a morte que vive
em vida que morre
Lacrimosa (Kv.) do Mundo
onde o sal
de tuas lágrimas
purifica a dor,
crise do submundo.
Francisco Canelas de Melo
sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."
Manuel Maria Barbosa du Bocage

Já Bocage não sou!... À cova escura
Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
Manuel Maria Barbosa du Bocage
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
domingo, fevereiro 08, 2009
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Dicionário Setúbalês-Português
O Setúbalês!
Um dialecto com potencialidades para se tornar numa Lingua Universal, ou seja, para lá do Pinhal Novo.
Dicionário Setúbalês-Português
· Sóce: Amigo/Senhor/Gajo
Ôôlha, q'é isse, pá sóce..? : Está enganado, Senhor
Hóme: Homem
Denpé: De pé
· Sermos – somos
Sêrrem - São
Érrem - Eram
Fôrrem - Foram
Virrem - Viram ou Vêem ou Vêm (dos verbos Ver, Vir e Virar)
Viérrem - Vieram
· Áùa, abrre já a boca toda: Isso não; ou: Assim não pode ser
· Que peix' é? - O que é que se passa?; ou O que é isso?
· Nha mãe: Minha mãe;
Áh, nha mãe: Ai, minha mãe
Á da nha mãe: Na casa da minha mãe; ou - Á casa da minha mãe;
· Ápá parriga ia-te pu grrel acima: Rapariga, quero fazer amor contigo
· Tá o calorr à patada: Está muito calor!
· Tá o calorr a môntes: Está muito calor!
· Desempacharr: Não atrapalhar/facilitar
· Enzole – anzol;
· Ínzol - anzol;
· D'ínzol - com anzol
· Arrepêze – arrependido
· Ganda espiga: grande confusão, grande bronca
· Ganda caldeirada - grande confusão, grande bronca
· Ápá, p'nherrinhe da catôa - Maneira de chamar careca a alguem
· Miga já passô a càminéte - Amigo já passou o autocarro
· Dá um jeitinhe, miga - Com licença
· Dá aí uma teca - Dá-me um bocado
· Amandar - eu amando, tu amandas, ele amanda, nós amandamos, vós amandais, eles amandam... sempre ouvi dizer assim mas não aparece no dicionário....
ex: Amanda a bola p'rá frrente.
· Virr' á corrida - quando alguém vem a correr
· Vai andand'mano! - Não me chateies
· Sóce, salga mas é isse : Esquece essa ideia
· Ápá, ganda vase da merrda! - Tens mau caracter.
· Carramel – Nome dado aos habitantes de Palmela
· Cagalête - Nome dado aos habitantes de Sesimbra
· Camone – Estrangeiro/Forasteiro
· Atrracarr de pôpa: Praticar sexo anal
· Picolho, Barron, *******, Panlêre, Pedre Prroença, etc... - Homosexual
· Vá pá ré, home - quando se pede a alguém para se chegar atrás e arranjar mais espaço
· Vai-te emborra chôq' que fazes a àgua negrra - Quando alguem é indesejado
· Cherra à Porrtucel - Cheira mal
· Feia(o) como ó batelão da Secil - Horrível / Gordo(a)
· Embarrcado: Trabalhador da Marinha Mercante
· Jgáde à viva - estar atento
· Tá garruaç - ta frio
· Tá aqui um ganda cachão: a coisa está a ficar agitada
· N' alevantes cachão: deixa-te estar quieto
· Ganda batajol: Uma pedra grande
· Tá ralasse - Está bom, está descansado
· Magalhas pó ganhas - Sou o ultimo a jogar/fazer - expressão pra jogar ao berlinde
· Apá Pintelhe – Miúdo
· Murraçarr- Orvalho, chuva miudinha
· Tá Bebd - Está Alcoolizado
· O Gaje é má rés - O Gajo é Ruim
· Levas um murre pús bêces q`até ficas a fazêrre dóminó pós dôs lades: Levas um murro na cara que até ficas esticado no chão
· Barraquêrre - Pessoa que arma confusão
· Ôôlha, na tarrda muito, tás aqui tás ali!: Vai-te embora.
· Já tás mazé a porr muita mante'ga do pão: Já estás a abusar
· Na asses má bogas c'ú lume tá frraque - (tem o mesmo significado de Abe já a boca ou Aua Sóce)
· Na t`arremes em enzole - não me chateies
· Jogarre aos bonecos- jogar aos matraquilhos.
· Deixarr a boca em chau - Ficar com os lábios rebentados por comer figos ainda mal maduros.
· Larrgar ferrado – envenenar
· Pérré - maré vazia
· Vidrrinhos - Tipo que usa óculos
· Serrem tantas cagente até nos enrolarmos todos - Eram tantas que não conseguimos fazer tudo.
· Bola de catechumbo- bola de futebol em couro
· Zéi o Marr tá Brrab - José, o mar está agitado
· Gasoline - embarcação de pesca
· Aparra-lapes - Apára-lápis (peixe usado para para farinhas e adubos
· Nã mexas no tempo q senão ainda chove: Não mexas que podes estragar
E como não podia deixar de ser os discursos que ficaram conhecidos:
· Eles errem trrinta agente erremos só vinte nóve más eu...
Eles darr darrem mas levarrem que se fartarrem.
· Tens más córrenes nessa cabeça q`uma saca de carracóis
· Orra ápá soçe deves andare és esquecide quand endavam ca lata de trrês bicos - É o que a malta mais velha diz aos 'novos ricos' com mania, a lata de 3 bicos era quando antigamente muita gente ia á sopa dos pobres e levavam normalmente uma lata grande de conserva.
· Algirra mete os putos na barraca que vai haverre mocada
· O que tu querrias erra um rabd` arraia plos enterrefolhos acima......
acho que não neceessita de tradução
· épa parriga ja deste comer aos passes é que eu fui ao medico da prosta na tive tempo
Apá parriga qué inse, hã? Que pêxe é?
Da prosefice ou da meia tona?
É masé da profundurra!!
· Iste agorra tá tude perrdide, atão na vês essas raparrigas cagorra só querrem é andarr com este e c'aquele e a tomarrem a 'pírrela' (pílula) ou o que é insse...!
· Boa nôte minhas senhorras e mês senhorres
há aqui um grrupo de soces que nã sã soices da Onião e tão assentados
É só pá avisarr os soces que nã são soices pa se alevantarrem, e os
soces que são soices pa se assentarrem.
(Aviso de um ex presidente da União Setubalense num dos muitos e famosos Bailes daquela instituição.):
Tradução
Boa Noite, minhas senhoras e meus senhores
há aqui um grupo de pessoas que não são socios da União e estão sentados
É só para avisar as pessoas que estão sentadas e não são sócios para se levantarem
E as pessoas que são sócias para se sentarem.
Mais uma pérrela sadina
Local : Caldeira , campismo selvagem em vésperas das festas de Troia
- Ai, ai, ai Arrenalde,.... ai Arrenalde,... ai Arrenalde......tirra, tirrra tirrrrrra , tiiiiiiiiirrrrrrrraaaaaaaaaaaa, tem grrãsinhe d`arreia.......
Fonte: http://www.forumvfc.com/viewtopic.php?t=6876


