quinta-feira, fevereiro 18, 2010
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Autognose por Álvaro Ribeiro
Este preceito helénico, insculpido no frontão do templo de Apolo, em Delfos, foi referido por Sócrates aos seus discípulos atenienses como princípio da arte de filosofar. Tal é, pelo menos, a versão que nos foi transmitida por Cícero no livro intitulado Tusculanas, com origem segura em antiga tradição.
(...)
Conhecer-se a si próprio é, efectivamente, conhecer-se como espírito. A energia primordial que assim é dada à consciência não deve, porém, ser confundida com o pensamento, segundo o erro de Descartes, nem com os princípios da lógica escolar, segundo o erro de Hegel. Ao conhecer-se a si próprio, gnosicamente, o homem adquire a certeza de que pensa e raciocina para se relacionar com o espírito universal, e esta certeza habilita-o a adquirir por consistência aquela virtude que denominamos fé. (...)"
Álvaro Ribeiro in "A Razão Animada"
quarta-feira, janeiro 13, 2010
segunda-feira, janeiro 04, 2010
A Ordem de Christo
"A Ordem de Cristo não tem graus, templo, rito, insígnia ou passe. Não precisa reunir, e os seus cavaleiros, para assim lhes chamar, conhecem-se sem saber uns dos outros, falam-se sem o que propriamente se chama linguagem. Quando se é escudeiro dela não se está ainda nela; quando se é mestre dela já se lhe não pertence. Nestas palavras obscuras se conta quanto basta para quem, que o queira ou saiba, entenda o que é a Ordem de Cristo — a mais sublime de todas do mundo.
Não se entra para a Ordem de Cristo por nenhuma iniciação, ou, pelo menos, por nenhuma iniciação que possa ser descrita em palavras. Nãos se entra para ela por querer ou por ser chamado; nisto ela se conforma com a fórmula dos mestres: «Quando o discípulo está pronto, o Mestre está pronto também.» E é na palavra «pronto» que está o sentido vário, conforme as ordens e as regras.
Fiel à sua obediência — se assim se pode chamar onde não há obedecer — à Fraternidade de quem é filha e mãe, há nela a perfeita regra de Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Os seus cavaleiros—chamemos-lhes sempre assim — não dependem de ninguém, não obedecem a ninguém, não precisam de ninguém, nem da Fraternidade de que dependem, a quem obedecem e de que precisam. Os seus cavaleiros são entre si perfeitamente iguais naquilo que os torna cavaleiros; acabou entre eles toda a diferença que há em todas as coisas do mundo. Os seus cavaleiros são ligados uns aos outros pelo simples laço de serem tais, e assim são irmãos, não sócios nem associados. São irmãos, digamos assim, porque nasceram tais. Na ordem de Cristo não há juramento nem obrigação.
Ela, sendo assim tão semelhante à Fraternidade em que respira, porque, segundo a Regra, «o que está em baixo é como o que está em cima», não é contudo aquela Fraternidade: é ainda uma ordem, embora uma Ordem Fraterna, ao passo que a Fraternidade não é uma ordem."
Fernando Pessoa
terça-feira, dezembro 15, 2009
A Voz liberta,
a prisão que voa
ao som de uma gaivota,
A voz imortal que clama,
ateia e
incendeia,
com o ardor d´um
Desejo
O Céu, o Mar e
O Inferno.
O mar que derramas
o mar que clamas
e que transbordas em teu olhar
É o desejo d´um futuro
de saudade (I)mortal
de (in)temporal sonho
És memória d´um Futuro,
de um sonho do Todo-Mundo,
És chama purificadora
Mas…
Mas…
Mas…
O intemporal que fez mortal,
a dor que te fez ardor,
Purifica-te pelo Fogo,
num Fogo de Bel.
(Beltaine)
François de Sainte-Colombe
terça-feira, dezembro 08, 2009
segunda-feira, novembro 16, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
O Poeta para além
do Poeta; o Homem
cativo,
aprisionado ao
tudo-Mundo.
Já não me sinto
Poeta,
místico,
ou profeta...
A Poesia é Voz
morta,
palavra apagada
num estado
pós-sonhado.
Angústia de invisível
tinta,
gritando em pena
afiada
Penetrante em papel-abismo
para além-vida,
além-sonho,
além Poeta-invisível!
Francisco Canelas de Melo
segunda-feira, setembro 07, 2009
Diário do Camiño - parte IV "Quero"
quero pensar, e não me deixam
quero..., mas o mundo não me deixa
Quero remar
numa barca sem remos,
Quero velejar
num navio sem velas,
Quero caminhar,
descalço,
(sem andar)
sentindo o trepidar
do Mundo.
Diário do Camiño - parte III "Porriño"
onde olhos sensuais
devoram
o simples caminhar
de um peregrino
Há em tudo
forma,
um exotismo
quase erótico
que alimenta
a urbana mente
Na Floresta,
junto ao regato
caminha em Paz
o que vive
sem errância
No crepúsculo
diurno,
onde se ergue
o tal nocturno luar,
vive peregrino
sem destino
a caminhar...
Diário do Camiño - parte II
esconde-se
e encobre-se
sob o horizonte
O cansaço já
é morto
e deposto
no romper
da Alvorada...
Dia da Lua, 27 de Julho de MMIX
Diário do Camiño - parte I
o Caminho é árduo,
sinuoso
e profundo
Hoje,
esta noite iniciarei mais uma demanda
em busca da minha verdadeira essência
Amanhã,
trilharei parte de mim,
o caminho é bruto,
e eu, Pobre Tolo,
cansado não estarei
em busca
de Destino,
Estou em Valença do Minho,
tenho o rio à minha fronte,
o Rio do Esquecimento.
Hoje,
caminharei nocturno
pelo rio do esquecimento,
esquecerei
e irei renascer
Não sei o que nascerei de novo,
se serei melhor,
se serei pior,
diferente, de certo, serei
Hoje,
irei sonhar,
(possivelmente acordado)
algo me espera,
algo me aguarda,
talvez uma passagem
por Tuí,
outrora Portuguesa.
Dia do Sol, 26 de Julho MMIX
quinta-feira, julho 23, 2009
sexta-feira, julho 17, 2009
terça-feira, julho 07, 2009
livre, peremptório, claro,
em estreita unidade com o corpo:
barro plástico para o Todo-Poderoso
esculpir a alma e o espírito
O poeta avança sobre o caos e as trevas,
contraditório, puro, sábio,
a sua vida está envolta em beleza:
o lustre opalino do pescoço das pombas,
os amigos imprevistos,
uma família espalhada plo mundo,
o Sol, a Lua, os gatos e as árvores
O poeta embriaga-se com água,
hidromel, chá de menta, ou súbito perfume
E inspira-se no ar d´atmosfera sagrada:
relê, Moisés, Cristo Jesus e Muhammad"
António Barahona



