domingo, fevereiro 25, 2007


Quando escrevo
liberto-me
da amarra da vida,
desencarno
e fujo da vida...

Fujo de Mim para ver o Mundo
Fujo de Ti, Amor Profundo
Fujo de Ti, Liberdade perdida
Caminho para ti, incessantemente,
Habitante, para lá do Umbral,

Venço-te matéria,
Quebro as amarras da vida,
Vagueio de Noite
Julgando-me Perdido,
Descobrindo Vida desprendida,
Vida Livre,
Solta do mundo.

Francisco Canelas de Melo

Dão Saltos
Entre Mundos

Visiveis,
Ocultos,

Vagueiam
à sombra,

Perdidos
aos olhos
profundos,

Em verdes passagens,
Estradas pedradas,
Em Caminhos escondidos...

Seres que vivem...
Seres que morrem...

Seres?!
Que somos Nós?...

Francisco Canelas de Melo

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Caminhar...


O Caminho no caminhar...
...a Lux que ofusca
a plena sabedoria
d´outro local,
mágico,
como o doce luar
matinal...

Sombras claras,
em suave nevoeiro,
quase transparente,

Véu caído,
no seio calmo
dum verdejante lugar,
perdido,

Onde,
Vós,
habitais...

...Seres Perdidos...

Francisco Canelas de Melo

quarta-feira, janeiro 10, 2007

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Lágrimas salgadas
caídas
em doiradas
ondas,
dumas
dunas
raiadas
d´um sol d´oiro.

Tu, Sebastião
choras
preso
num fado
fatalista,
deprimido
e descrento
dum povo
republicano

Vós, Pátria minha,
ergue-te Saudade
Saudosista
deste Povo
heróico
em crer,
histórico por Ser,
ainda,
em tão
vasto Império.

Francisco Canelas de Melo

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Alban Arthan


Alban Arthan...

Dia 22 de Dezembro pelas 00:22 ocorrerá o Solstício de Inverno...
Hoje é a noite na longa do ano, o dia mais curto do ano, o eterno balanço da Luz e das Trevas.

Segundo a Tradição, este momento designado por Alban Arthan, tem o profundo significado do renascimento. O novo nascimento da Luz, representado pelo crescer gradual das horas solares, apresenta o Caminhar iluminado de nossos passos...Assim hoje será dia de meditar, jejuar e preparar o "renascimento" que ocorrerá no interior de cada um de Nós...

Fiat Lux
Virei-a,
Luz,
chama
ardente
em negro
céu,
como
uma
strela
cintilante
que nos
guia...

Sete pontos,
Sete destinos
em Sete
vidas...
cumpridas,
ou por
cumprir.
Fazem de nós,
navegadores
de Céus
nunca
dantes
Sonhados.

Francisco Canelas de Melo

sexta-feira, dezembro 01, 2006

À um Amigo, Amigo...!

Um velho
Barbudo,
Bêbado
De eloquência
De Vida
Imensa.
Sorri,
Ri,
Vive
E chora
A Alma
Imersa
Na raiz
Da vida,
Na esperança
Da morte
Que liberta.


Francisco Canelas de Melo

Vi
A chama
Que clama
Em viver
Do brilho
Luzidio
A nascer…

Lareira
do Mundo,
ventre da
Terra,
Sangue
Quente
De pedra,
Rocha,
Do monte
A nascer…

Dizem,
Palavras, vazias,
Cheias de Ar,
Quente,
morno,
e frio
em árido
deserto,
em húmido
Ser
Clemente
Em ver,
Viver,
Uma vida
Incerta,
Indiscreta
Mas certa
De Morrer!

Francisco Canelas de Melo

Vox

Celestial…

Angelical,

Coro
Magnânimo
que cantas
em mim
Requiem
Aeternam

de Vida
de Morte
que clamas
em viver
em mim.

Francisco Canelas de Melo

Sonho as sombras do meu Ser
a Eternidade
plena
criada para
Nós,
Homens,
de carne putrefacta.

Francisco Canelas de Melo

sexta-feira, novembro 17, 2006

Esta espada
que arremesso
volteando ao
Alto,
pela Fé,
Esperança,
Caridade...

Pelo Nome
do Senhor,
Venerável Criador
Do céu e da terra...

Pelo Guardião
que me protege
com sua Ala.

Por Vós,
Santa Esperança
da Razão que
me guarda e acompanha...

Ergo-te...

EXCALIBUR



Francisco Canelas de Melo
Este bafo
de dragão,
neblina intensa
cegando o olhar
profundo
de um Ser.

Brumas densas,
na vida do Cavaleiro,
solitário destino,
busca árdua,
que Tu,
só Tu,
Puro Perceval
conseguiste...

Castelo irreal
perdido em névoa.

Guardião do
Graal...

"Ei-lo!"...
...Sangreal...

Francisco Canelas de Melo

À Roger de Lunel

Leio, vivo, recordo
a visão dum passado,
de dor,
sangue,
morte...

Diário d´Escrivel
de Lunel,
Cavaleiro de Consciência,
Cruzado,
Guerreiro de Christo.

Vives,
imortal
no peito,
na Cruz
rubra de sangue,
sangue real...

Relatas a Vida,
a Morte ressucitada
deste pobre
rebanho
tresmalhado
d´Adhémar...

Lutas quase
morto
em busca d´algo...

Redenção,
a Vida que morre
em Morte que nasce...

Francisco Canelas de Melo
Quadro negro
de imensa escuridão,
Trevas profundas
que penetram
minh´Alma...

Visão misteriosa
do Passado
do Futuro
incerto para uns...
traçado para outros...

Fado marcado
pela centelha
de Deus.


Francisco Canelas de Melo

terça-feira, novembro 07, 2006

Carta de Fernando Pessoa

Ideologia política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, com pena, pela República. Conservador de estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservadorismo, e absolutamente anti-reaccionário.
Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo mítico, de onde seja abolida toda infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: "Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação".
Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.
Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.
Fernando Pessoa
30 de Março de 1935
retirado do blog "Sobre o tempo que passa"

sexta-feira, outubro 20, 2006

Morte que clamas
em Viver
em Existir

Demora constante
de Existir,
de Sentir,
de...
de...

Quase Viver
envolto em
negro manto
de escuridão.

Trevas possuídas,
manifestações diabólicas
só salvas
pela lâmina
de minha espada...

Francisco Canelas de Melo

quarta-feira, outubro 18, 2006

Sinto-vos,
Cavaleiro!
Teu roto manto,
ainda imaculado
varendo o chão
empedrado
dum convento,
dum Templo.

Rocha=pedra,
dum cavaleiro
de nove,
em nove...

Em túnel jurado,
Amor, Fé, Esperança,
Viver
pela espada
embainhada.

Em selo marcado,
humilde servo,
cavalo, corcel
partilhado
por nós...

Escudo partido
como a vida
de Homem,
dia e noite,
luz e escuridão.

Três cores,
negro,
vermelho,
branco,
...grandioso Beausant!

Francisco Canelas de Melo

Thomar

Terra-mãe,
verbo vivo
resistente ao Tempo
a nós, Homens,
a vós, humanos,

Mantos que te guardam,
que te guardam?!

Nós, Portugal!
Vós, Porto do Graal...

Francisco Canelas de Melo
Ascendo em ti,
Pai Celestial..
Curvo-me de frio,
de dor, saudade, nostalgia
de Ti, de mim, do
Sanctus Celestialis.

Vivo, sobrevivo,
vivo, morro,
renasço
e digo,

Vida vivida
Vida perdida
Vida por viver
ergo-me da sepultura
e grito:

-Hoje serei LUX!!!

Vivo pela chama
que me ilumina,
candeia florescente
do sentimento doloroso
duma vida monótona.

Cerro-me
em despida cela,
palha no chão
de terra,
Aquece meu seco corpo...

E Vós, doce LUX,
Aqueces minh´Alma,
iluminas meu passos,
cada sentido do meu
Caminho...
Espero-te, Bomfim.

Francisco Canelas de Melo
Cruz de sangue,
cruz de carne
e sofrimento,
cruz de dor
em ombros suportada
por nós,
Homens do Mundo,
cruéis, duros, imortais
que vivem e morrem,
sonham e comem,
na ânsia dum
sopro, quase, divino.

Voz convocatória
do Altíssimo Chamamento

Olhai,
contemplai,
morte por vida,
vida por morte,
esperança renascida
dum grito...
duma...
Nova Vida.

Francisco Canelas de Melo

sexta-feira, setembro 15, 2006

Em bela serra me vi,
em sonhos dispersos,
por unir numa vaga lembrança
que urge dentro de mim.

É a vida que quer viver
o existir a querer aparecer,
a luta de uma noite, de uma lua
a vingança de um dia...

Vive oh Mátria minha.
Vive na tão amada serra que me viu
Crescer.

Francisco Canelas de Melo
Sem caneta screvo,
sentado à beira vida,
Encoberto
pela aparente morte que me ilude,

Ilumina-me a vida
em contraste à morte,
permatura vivência a nascer
em dia por saber.

Francisco Canelas de Melo

quinta-feira, agosto 17, 2006

Oiço-te,
Ó grandioso Zéfiro,
Em escarpa íngreme
do monstruoso rochedo
engolindo
um céu nebuloso,


Oiço-te,
doce cantar
de um rouxinol
embebido num luar
matinal,

Oiço-te,
Mãe-Natura
Virgem
e Pura,
que clamas
por nós...

Oiço-vos,
Meus Irmãos,

Oiço-nos,
oiço,

Um cair de lágrimas em terra
dum sofrimento ardente,
sufocante e destruidor
das altas labaredas
alimentando nossa dor...

Chorai Irmãos da Mátria-Natura,
lágrimas de Druida,
em rios correrão,
até ao fim
da desventura.

Francisco Canelas de Melo
Páginas brancas
do meu Ser.
Folhas perdidas
passadas pelo tempo,
sonhado, vivido, sofrido
no Caminho
à percorrer...

Francisco Canelas de Melo
Bogalho de carvalho
ovo de serpente,
caído
em húmido chão,
completo de vida
obscura aos olhos,
humanos,
discriminantes
do que
vive na Vida,
Na Mátria-Natura.

Humano e desumano
ventre
desta cultura,
perdida,
esquecida,
envolta
por bruma
dum nevoeiro,
Neblina
renascida
pelas gotas
D´orvalho.

Francisco Canelas de Melo

sexta-feira, julho 21, 2006

Desvaneios duma noite quente de verão

Após breve leitura de um pequeno livro de homenagem a Teixeira de Pascoaes pelos escritores da "Tertúlia "Rio de Prata", conheci, (re)vivi longinquamente, sem recordar em consciência, presenciar as sombras do Marão, a mátria-natura do Gêres, panteão de Deus, uma força única vinda do Alto e tão presente no baixo.
Nós ignoramo-lá; pior, marginalizamos a nosso própria essência, renegamos qualquer sinal manifestado, continuando a existir até à putrefacção da carne.
Diz o Espírito de Marânus, que "o homem existe, enquanto devia viver".
Definição precisa; o homem existe enquanto animal, pela sua condição de ser existente, mas logo que se extingue o suspirar, deixa de existir.
Contudo, nunca chegou a viver. Só a Vida tem capacidade de imortalizar o Ser, e não a existência. Já diz Fernando Pessoa:

"(...)
Vive porque a vida dura,
E nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz-
Ter por vida a sepultura."

Esta durabilidade da vida, trata-se da mera condição existencial do homem.
Talvez a fórmula de vivermos esteja contida nas sábias e metáforicas palavras de Agostinho da Silva, "não deveremos ter, deveremos ser".
Ser é viver "como", enquanto existir será viver "com" ou "sem". Talvez existir "com" a Natureza nos reserve um pouco de lembrança, de saudade de onde viemos, e nos abandone esta constante "saudade de ter Saudade" (Agostinho da Silva).

terça-feira, julho 18, 2006

Pequena lembrança de Teixeira de Pascoaes

Screvo
Morto-vivo,
Respiro ar
Mas não
Vivo,
Deixo-me
Existir
Disperso
Da Natureza
Que Marão
(A)guarda.

Fútil vivência,
A morte presença
Do esquecido passado
Escondido,
Perdido,
Ignorado,
Pelos mortos-vivos,
Homens nascidos,
Paridos
Cegos órfãos
Da Mãe-Natura.

Francisco Canelas de Melo

sexta-feira, julho 14, 2006

A Noite

Sepulcro repleto de pedras e de trevas
onde um rei chora perdidas rosas

A noite é um jardim de ossos
onde num banco de pérolas o corpo dia
tem os membros paralisados e frios
Só os olhos se movem

Ap longe o rei dorme por entre paredes de
hera, colunas de mármore azul
A noite é um arco, um ventre que conserva
o dia oculto
numa torre de brumas e de mistério

"Arte Régia" de António Cândido Franco

Teoria da Saudade

Na língua portuguesa há um certo número de palavras, altamente expressivas do que a nossa sensibilidade possui de mais íntimo e característico, e, por isso, sem equivalentes nas outras línguas.
Mas nós não conhecemos ainda uma célebre palavra, animada pelos dois princípios religiosos que definem a alma pátria.
Não precisamos de reunir vários sentimentos comuns dos portugueses, para com eles desenharmos o seu carácter moral. Conhecemos um que o define por completo. Refiro-me à Saudade.
Analisai-a e vereis logo os elementos que a formam: desejo e lembrança, conforme Duarte Nunes de Leão; gosto e amargura, segundo Garrett.
O desejo é a parte sensual e alegre da Saudade, e a lembrança representa a sua face espiritual e dolorida, porque a lembrança inclui a ausência duma cousa ou dum ser amado, que adquire presença espiritual em nós.
A dor espiritualiza o desejo, e o desejo, por sua vez, materializa a dor. Lembrança e desejo confundem-se, penetram-se mutuamente animados da mesma força vital e assimiladora; e precipitam-se depois num sentimento novo, que é a Saudade.
Pelo desejo e pela dor, a Saudade representa o sangue e a terra de que descende a nossa Raça.
Desta forma, aqueles dois ramos étnicos que deram origem aos povos latinos, encontraram na Saudade e, portanto, na alma portuguesa, a sua divina síntese espiritual.
A Saudade pelo desejo (desejar é querer, e querer é esperar), em virtude da própria natureza do desejo, é também a esperança, assim como é lembrança pela dor.
Pela esperança e pelo desejo, a Saudade é Vénus; pela dor e pela lembrança é a Virgem Dolorosa.
As duas Deusas confundem-se neste sentimento essencial dos lusíadas, originando um nova Divindade que é o símbolo vivo da alma pátria...

Teixeira de Pascoes

In "Arte de Ser Português", Renascença, Porto,
1915

domingo, julho 09, 2006

"Entre o que pensamos e o que escrevemos vai
aquele trágico e fecundo afastamento, que não
nos deixa escrever um só livro, mas muitos e
sempre, até que a morte suprima a distância
entre o corpo e a alma"

Leonardo Coimbra

segunda-feira, julho 03, 2006

BULBUL de João Carlos Raposo Nunes

BULBUL. Nome persa do rouxinol, e que na Índia é dado ao Lanius boulboul Lath., de que há variedades, de canto muito doce.
O Bulbul e o môruôni são a melodia das espessuras, dos palmares e arecais de Goa.
Alberto Osório de Castro in O Sinal da Sombra, 1923
É assim que se inicia esta excelente obra poética do Amigo João Carlos Raposo Nunes.
Amigo na plenitude total da palavra, Irmão no maior sentido da palavra de Irmandade e tudo o que ela abarca e Mestre, que tem a mestria dos Grandes, de ensinar não do Alto, mas junto de nós, partilhando num transmitir-receber...
Discípulo de Agostinho da Silva, foi nomeado pelo filósofo cidadão do mundo, Alferes da Pátria e Alferes do V Império.
Assim em jeito de singela homenagem transcrevo o prelúdio do Mestre Agostinho à obra citada:
IMPÉRIO SÃO FILIPE DO ESPÍRITO SANTO
Castelo Real
Setúbal-Portugal
A Arrábida espera. Deixamos por agora de considerar e falar do esporão de Palmela, pois dêle tem ido tomando conta Santiago, seu Senhor e Dono, e, como tem de ser, seu inspirador de futuro. Partiremos das arribas de Setúbal e veremos, como apoio e empurrão de largada, a um tempo o Grupo que Raposo Nunes tem congregado em sua Arca do Setubalense, e, como mais perto e excelente incitamento à empresa, o livro de Poemas sob o título de BULBUL ou seja o Rouxinol de Oriente, em que, num perfeito domínio da linguagem e de tôda a musicalidade exterior do verso, lhe dá equilibrado vertebrar a musicalidade interna de ver todo o passado como projecto futuro, de se tomar saudade como valente desejo a premonição de que virá tempo em que olharemos a Serra como triângulo para além da terra e à terra vinculado de que são extremos Europa, Ásia e África e em que nos ajoelharemos perante o Brasil, criação máxima dos Portugueses e modelo que se mostrará de todo o mundo a vir, de um mundo novo nem avaro nem triste; não esqueceremos o patrono geral, místico dos céus sem que o mundo esqueça, Frei Agostinho da Cruz, com sua cela de monte e sua gineta de companhia, nem esquecerei eu o trabalho de Orlando Ribeiro, o primeiro que, com sua implícita metafísica, pôs mais ordem no que se pensaria caos do que jamais fará o moderno progresso das fractais, em que matemática irá a domínios de que estava esquecida mas que felizmente nunca avançará bastante para que da vida desapareça o que a faz de interesse, isto é, o inesperado da verdadeira e suprema criatividade; não esqueceu ao Autor, sempre na melhor inspiração, olhar em Sebastião da Gama o sentido das viagens que se julgam impossíveis e o sacrifício na batalha que todos têm julgado desastrosa, mas que atravou os Turcos, firmou economia do Brasil e amparou em provações gente do outro lado do Atlântico; à Senhora do Cabo chegaremos e aí estará a recordação do génio analítico de Keil do Amaral ante o genético génio do Povo.
Por agora ficaremos em Setúbal, para que todos possamos discutir e entender neste Império, de que tem de ser Alferes Raposo Nunes, o canto do Bulbul, agora ave mesmo. O faremos pensando no Castelo que homenageou o Rei Filipe e faremos que desta vez perceba êle como é o Entre-Sado-e-Tejo a verdadeira Capital do que pelo mundo tenha tido semeadura ibérica. Não nos faltará a nenhum de nós audácia e reflexão: sabemos que a loucura só vale quando não nos falta o juízo. A tudo vamos, connosco venham.
Agostinho da Silva
Agosto 90
TÚBAL
Guardo o cantar do Bulbul
Como um segredo de séculos.
Da Índia à Arrábida
ausculto o piar da sombra.
A Nau da Saudade vem carregada de Lua.
Aberta a Arca do Ocidente
a luz emanada tem a forma
espectral da Ausência.
Avisto Cam, Sem e Jafé
a Arrábida é um triângulo
Europa, África e Ásia.
Ajoelho frente ao Brasil,
nu
no ponto mais alto da serra
à espera do homem de todo o mundo.
Nu
no prolongamento etéreo até ao regresso do Rei
insensível à vida e à morte,
pronunciando o Mantra: -«a liberdade é o próprio espírito»

quinta-feira, junho 29, 2006

"Pro Meditari"


"Ninguém pode receber a Luz a não ser que tenha esperança na Luz e aspire a ela. Se está contente com a expectação das Trevas, que as trevas estejam com ele já que está contente com elas. Trevas é o que tem e nada pode esperar, se está contente com o que tem"

Fernando Pessoa